Projeto Atitude promove palestras para homens em Araucária para romper ciclo da violência doméstica

COM ASSESSORIAS – Semanalmente homens participam de uma grade de palestras, com rodas de conversa com intuito de estimular a reflexão sobre o ciclo de violência e alternativas para seu rompimento em Araucária. Essa é uma proposta do Projeto Atitude, que organiza grupos reflexivos para homens autores de violência doméstica, encaminhados pela justiça. O espaço oferece escuta qualificada, suporte social para estreitar e tornar mais saudáveis os laços familiares e afetivos.
Para cumprir a medida judicial (medida cautelar, medida alternativa ou como benefício da suspensão condicional do processo), os noticiados precisam cumprir um ciclo de cinco encontros ininterruptos, com carga horária total de 10 horas. A participação no projeto não substitui outras penas, porém percebeu-se que apenas uma pena punitiva não mudava a “atitude” dos agressores, que continuavam com seu modo de agir negativo. A taxa de reincidência em violência de só 4% dos participantes após o projeto demonstra a boa resposta à iniciativa.
Além de disseminar informações sobre a Lei Maria da Penha, serviços da rede de proteção e de combate à violência contra a mulher, essa medida de viés educativo tem a intenção de minimizar o número de agressores reincidentes, ou seja, fazer com a violência doméstica não aconteça mais nem no relacionamento atual e nem em futuros. Isso porque o fato do indivíduo estar preso ou impedido de se aproximar da vítima por medida protetiva, não garante necessariamente a consciência sobre a importância da cessação da violência.
No final do ciclo de palestras, os participantes fazem uma autoavaliação de seu próprio caso (que levou ao cumprimento de medida judicial). De acordo com a coordenadora do Projeto, Elaine Solochinski, é comum ver nas autoavaliações frases do tipo: “Não sabia que xingar era violência”, “Agora sei que lavar louça não me faz menos homem”, “Entendo melhor a que se refere o machismo”, “Adquiri mais maturidade”, “Consigo perceber que meu relacionamento estava fazendo mal a nós dois”, “Infelizmente constato que tenho privilégios como força e maior respeito no mercado de trabalho do que as mulheres”, “Achava que participar do Projeto Atitude era uma punição, porém vi que agregou muito no meu jeito de agir”.
O projeto é inovador porque outras ações geralmente voltam-se mais para atender apenas à vítima a trabalhar a questão do agressor, agente da violência. Para atendimento à mulher em situação de violência, Araucária já possui o Centro de Referência de Atendimento a Mulher (CRAM telefone 41 3901-5162), Patrulha Maria da Penha (vinculada à Guarda Municipal – telefone 153), unidades básicas de saúde e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).
Números
O Projeto Atitude começou a funcionar na cidade no final de 2019 e desde então triou 151 homens. Em 2020, cerca de 44% dos indivíduos conseguiu reconhecer ter praticado violência. Nessa linha ainda, 96% dos noticiados que cumpriram o ciclo do projeto não reincidiram em outros casos de violência (em um período de 1 ano).
Integrantes
O projeto é desenvolvido em Araucária pelo Conselho da Comunidade de Araucária junto com a Vara Criminal em parceria com o Ministério Público, Prefeitura, Organizações da Sociedade Civil e voluntários.