Grande Curitiba

Centros de bairros equilibram os fluxos urbanos em Curitiba

4 de janeiro de 2022 às 18:07
(Foto: Daniel Castellano / SMCS)

COM ASSESSORIAS – As administrações regionais de Curitiba representam um conjunto de cidades dentro da cidade maior, guardadas as devidas proporções e perfis de desenvolvimento. Dentro dos limites dos 435 Km² de área da capital paranaense vivem 1.963.726 habitantes, segundo estimativa de 2021 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um contingente populacional de quase 2 milhões de pessoas distribuído por 75 bairros atendidos por 10 regionais administrativas da Prefeitura.

Os 12 bairros da Regional Boa Vista, a mais populosa da cidade, concentram 268.906 moradores. Se fosse um município, a Regional Boa Vista ocuparia a sétima posição do Estado em número de habitantes superando, por exemplo, Foz do Iguaçu, onde vivem 257.971 pessoas, conforme a última estimativa populacional do IBGE.

Informações sobre dinâmica dos deslocamentos nas dez regionais da cidade constam na publicação Centralidades Funcionais de Curitiba, elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), como parte da coleção Cadernos Urbanos criada pela instituição. O documento traça o perfil da distribuição territorial nas regionais, apontando as centralidades, os centros de bairro e o centro expandido, cada qual dentro das suas especificidades.

“A existência de centralidades e centros de bairros reduz a necessidade de deslocamentos ao chamado Centro Tradicional, distribui melhor os fluxos urbanos e dilui grandes concentrações. Em tempos de pandemia, isso possibilita planejamento e ações pontuais do poder público com vistas ao controle de aglomerações e ao desenvolvimento no pós-pandemia”, explica a responsável pela análise e coordenadora do setor de Monitoração do Ippuc, Mônica Máximo da Silva.

São referências, desenvolvidas a partir do zoneamento proposto para a cidade, previsto no Plano Diretor, com características específicas, que atraem os habitantes em busca do comércio e serviços diversos, de ordem pública ou privada.

“A cidade real está de acordo com o estabelecido pelo zoneamento, revisto periodicamente conforme determina o Estatuto das Cidades, demonstrando a aderência e a continuidade do planejamento da cidade”, reforça a diretora de Informações do Ippuc, Liana Vallicelli.

Centralidades funcionais

No Boa Vista, por exemplo, as atividades econômicas e atração de viagens dos moradores locais têm como uma das principais referências a Avenida Prefeito Erasto Gaertner, via classificada como setorial 1 e identificada como uma das principais centralidades funcionais da regional. Outras centralidades da Regional Boa Vista estão nas avenidas Anita Garibaldi (via setorial 2), João Gualberto / Avenida Paraná (vias centrais do sistema viário estrutural) e na Rua Alberico Flores Bueno (setorial 1).

Quando analisadas as centralidades pertencentes à Regional Bairro Novo, foram identificadas como referências a Rua Izaac Ferreira de Cruz (classificada como coletora 1 e integrada ao sistema viário principal), que concentra o tráfego local e de passagem e onde os parâmetros construtivos devem promover atividades não habitacionais de médio e grande porte para atendimento da região, e também a Rua São José dos Pinhais (coletora 1), pela alta densidade de atividades econômicas.

Outros destaques na Regional Bairro Novo estão na Rua Ourizona (setorial 1), pela média densidade de atividades, e Eduardo Pinto da Rocha (setorial 2), pela atração moderada de viagens. A um nível ainda mais local, de suprimento das necessidades diárias da população residente no bairro Umbará, é possível destacar também as ruas Deputado Pinheiro Júnior e Antônio Augusto de Brito, ambas classificadas como coletora 2.

Na Regional Boqueirão, uma das centralidades destacadas é a Avenida Marechal Floriano Peixoto, entre as ruas Presidente Pádua Fleury e Alcino Guanabara. Já quando analisada a concentração de viagens, a maior concentração se dá nas proximidades do Terminal do Boqueirão e entre ruas Frei Henrique de Coimbra e Evaristo da Veiga, onde está localizado o Terminal do Hauer. Também são referências para os deslocamentos a Rua Doutor Bley Zornig, popularmente o polo das malharias de Curitiba, a Rua Francisco Derosso, a Rua Primeiro de Maio e a Eduardo Pinto da Rocha.

Na Regional CIC são destaques em atividades econômicas e atração de viagens as ruas Raul Pompéia, Eduardo Afonso Naldony, Pedro Gusso, Léa Moreira de Souza e Antônio de Oliveira Santos.

Na Regional Cajuru as maiores centralidades estão no entorno dos centros comerciais da região. Também são pontos de atração, as ruas Delegado Leopoldo Belczak, Filipinas e Eunice Bettini Bartoszeck. A Avenida Senador Salgado Filho e a Rua Engenheiro Costa Barros também são destinos dos moradores para compras e serviços.

Na Regional Matriz está o centro tradicional do município, a porção territorial de maior acessibilidade, onde podem ser encontrados simultaneamente os sistemas econômico e político-institucional.

Para além do perímetro que abrange o núcleo central estão os chamados centros expandidos identificados como os prolongamentos em direção ao bairro Mercês, através da Avenida Manoel Ribas; ao bairro Cabral, por meio da Avenida João Gualberto; ao bairro Portão, através da Avenida República Argentina; ao bairro Bigorrilho, pela Rua Padre Anchieta (via central do sistema viário estrutural), ao bairro Boqueirão, por meio da Avenida Marechal Floriano Peixoto e ao bairro Centro Cívico, através da Avenida Cândido de Abreu e da Rua Mateus Leme.

Ainda são referências na Matriz as centralidades funcionais ao longo da Avenida Desembargador Hugo Simas; de trecho da Avenida Anita Garibaldi e da Rua Augusto Stresser.

Na Regional Santa Felicidade são destaques as avenidas Vereador Toaldo Túlio e Manoel Ribas, Via Vêneto e a Rua Professor João Falarz Vereador Toaldo Túlio. Além destas, nos mapas também aparece o destaque das ruas Deputado Heitor Alencar Furtado e Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, componentes do eixo estruturante oeste.

A Regional Tatuquara, mais nova e de ocupação mais recente da cidade, tem como destaque pela concentração de atividades econômicas e pela atração de viagens a Rua Enette Dubard e, em segundo lugar, a Rua Marcos Bertoldi.

Serviram de base para a análise dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério da Economia; da Secretaria Municipal de Finanças Orçamento e Gestão, referentes aos alvarás comerciais ativos e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, integrantes da pesquisa Origem/Destino.

Classificação das vias

Por sua classificação, as ruas ou vias têm o papel de integração do transporte como na definição do uso do espaço urbano (que tipo de atividades são permitidas), para orientar os tipos de usos da cidade.

O sistema viário de Curitiba é formado pelos Eixos Estruturantes e pelas Vias Setoriais 1 e 2; Coletoras 1 e 2; Prioritárias e Normais.

Os Eixos Estruturantes (ou estruturais) são formados pelo sistema trinário de vias, por onde passam os ônibus expressos, ladeados por vias rápidas em sentidos opostos, e onde estão os prédios mais altos da cidade.

As Vias Setoriais são as referências que passam por vários bairros e fazem as ligações de longa distância, até com municípios vizinhos, e por onde passam ônibus e é permitido comércio e serviços. Algumas delas coincidem com os antigos acessos a Curitiba, como por exemplo, a Mateus Leme, a Manoel Ribas, a República Argentina, a Salgado Filho.

As Vias Coletoras são as vias de convergência local, como se fossem calhas nos bairros para onde converge o trânsito. Essas ruas são pontos de atração de comércio e serviços, geralmente os polos comerciais nos bairros.

As Vias Prioritárias são somente para o tráfego. Elas fazem a ligação entre Eixos Estruturantes promovendo o escoamento do tráfego de um ponto a outro. Nas vias prioritárias não são permitidas atividades que causem congestionamentos, nem mesmo estacionar ao longo delas em horários comerciais.

Nas Vias Normais estão localizadas as moradias e as atividades de pequeno porte, de atendimento à vizinhança.

Confira quais são as regionais e quantos moradores há em cada uma

1. Regional Boa Vista – 268.906

2. Regional Cajuru – 250.328

3. Regional Portão – 219.396

4. Regional Matriz – 210.121

5. Regional Boqueirão – 209.127

6. Regional CIC – 208.020

7. Regional Bairro Novo – 172.591

8. Regional Pinheirinho – 153.004

9. Regional Santa Felicidade – 144.189

10. Regional Tatuquara – 128.044