Grande Curitiba

Pandemia deixa aprendizado para servidores que acreditam no poder do movimento

14 de julho de 2021 às 16:26
(Foto: Pedro Ribas/SMCS)

COM ASSESSORIAS – Após quase 16 meses desde o início da pandemia, a Secretaria do Esporte, Lazer e Juventude (Smelj), responsável pela oferta de práticas voltadas ao movimento, dá início à retomada das atividades presenciais. O retorno será gradativo e, para isso, a equipe está entrando em contato com os alunos que já estavam matriculados nas atividades esportivas gratuitas oferecidas pela Prefeitura de Curitiba.

A orientadora em esporte e lazer Simone de Melo Silva Cordeiro, coordenadora do Centro de Atividade Física Ouvidor Pardinho, acredita que será necessário um período de adaptação para que os alunos, a maioria idosos, possam recuperar o tempo que ficaram sem atividades físicas regulares.

“Não poderão voltar todos de uma vez. E o retorno precisará ser devagar, pois muitos estão sedentários. A expectativa pelo retorno é muito grande”, comentou.

O espaço que antes proporcionava aulas nos três períodos do dia (manhã, tarde e noite) para cerca de 1.300 alunos, a maioria pessoas da terceira idade, muitos com comorbidades, teve que interromper o atendimento quando a cidade foi declarada em situação de emergência devido à pandemia pelo novo coronavírus, em março de 2020.

“No começo, foi um vazio grande. Da noite para o dia, tivemos que parar. Nossos alunos se sentiam frustrados, eles vinham para ouvir de nós, professores, que não haveria as atividades. Eles não acreditavam”, lembra.

Disposição para se exercitar

Simone viu os efeitos da pandemia sob o ângulo do tempo. Deixar pessoas ativas confinadas trouxe consequências.

“A prática da atividade física não faz milagres, mas diminui o progresso de algumas das consequências do avanço da idade. Além disso, a convivência em grupo é importante para o idoso, traz ânimo, disposição. E quando a pessoa não tem ânimo, o corpo padece. No envelhecimento, isso evolui rápido”, analisa Simone.

Com a vacinação contra a covid-19, ela passou a integrar o grupo de servidores que auxilia a Secretaria da Saúde na tenda montada na Praça Ouvidor Pardinho. “Encontrei, na fila, alguns dos nossos alunos. Voltamos a nos ver na praça e observei que alguns deles apresentavam limitações físicas. Antes, eles tinham mobilidade. A pandemia mudou isso”, observa ela.

Servidora há 24 anos, Simone trabalha na Ouvidor Pardinho desde a inauguração, em 1999. Ela conta que tem um vínculo forte com o lugar e com as pessoas que frequentam a praça.

A experiente servidora explica que, além das atividades, para o idoso, o contato com outras pessoas é muito importante, inclusive o contato físico. “Eles gostam de abraçar. Com a pandemia, quando nos encontrávamos, já não podíamos fazer isso”, lembra a coordenadora.

Cadeira, almofada e cabo de vassoura

Sem as aulas, os vídeos com atividades simples de alongamento, coordenação motora, para não perder a mobilidade, e memória, além de mensagens motivacionais foram a alternativa adotada por algum tempo pelos professores da Ouvidor Pardinho.

Foi assim também no Centro de Esporte e Lazer Arthur Bernardes, onde trabalha a professora Sandra Regina Padilha de Lima, que coordena a unidade e chegou a dar aulas ao vivo, de forma on-line. Nas aulas remotas, os alunos usavam o que tinham em casa, cadeira, almofadas, cabo de vassoura como bastão. Os vídeos motivacionais passaram a ser temáticos em datas comemorativas. Foram produzidos mais de 60 conteúdos audiovisuais.

“Lidar com a tecnologia não é fácil para todos. Alguns se adaptaram aos vídeos, outros não. Vi que alunos mais disciplinados optaram pelas caminhadas na praça, alguns fazem alongamentos também. Estão todos ansiosos pelo retorno presencial”, declara Sandra.

Motivação e disciplina

A coordenadora lembra que, para os servidores, também foi algo novo. “Todo mundo teve que se reinventar”, resume. “Percebemos que todos estão cansados das situações impostas pela pandemia. Nos colocamos no lugar dos alunos para tentar motivá-los a seguir adiante com as atividades, mas a disciplina para fazer depende de cada um. É preciso ter um propósito, entender que a atividade faz bem, e se organizar para que isso aconteça”, diz ela.

O total de alunos antes cadastrados era de 330 pessoas – 70% deles com mais de 60 anos.

“A socialização é um aspecto importante para os nossos alunos, vai além da parte física”, observa. Os grupos de whatsapp das 12 turmas, antes utilizados apenas para os avisos, se transformaram. “Passaram a ser grupos de otimismo. Foi o jeito que encontramos para que eles pudessem interagir”, declara.

Manutenção das unidades

O superintendente da Secretaria do Esporte e Lazer, Hideo Garcia, informa que durante a pandemia, a secretaria fez manutenções e melhorias de infraestrutura em diversos equipamentos entre as 39 unidades da pasta.

“As manutenções dos equipamentos foram permanentes apesar de, infelizmente, termos registrado atos de vandalismo, como pichações, roubo de fiação e arrombamentos”, declara Garcia.

Ele observa que, diante dos desafios, os servidores da pasta buscaram alternativas. Cita como exemplo o sucesso das corridas públicas virtuais, inéditas para a Smelj.

“Precisávamos de modos seguros de manter o atendimento ao cidadão, mas é necessário seguir as diretrizes da Secretaria da Saúde, de acordo com o protocolo vigente. Nossos servidores não mediram esforços”, conta.

A equipe da Smelj, formada por educadores físicos, orientadores em esporte e lazer e professores (cerca de 300 servidores), engajou-se na campanha de vacinação. Segundo o superintendente, grande parte dos servidores auxiliou a Secretaria da Saúde como voluntários.