Grande Curitiba

Inovador e humanizado, Hospital do Idoso completa dez anos como referência no SUS

29 de março de 2022 às 11:34
(Foto: Cesar Brustolin/SMCS)

COM ASSESSORIAS – O Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns comemora dez anos de funcionamento nesta terça-feira (29/3). Inovador em sua concepção, foi o primeiro no Brasil criado para atender prioritariamente aos idosos, com foco na humanização e na segurança do paciente.

Em 9,52 mil metros quadrados de área, localizado no Pinheirinho, o hospital foi pensado para ser acessível ao público idoso, com rampas de acesso, bosque e solário. Sua taxa de satisfação do usuário é de 98%.

“O Hospital Municipal do Idoso está guardado no coração dos curitibanos. É o símbolo da bondade para com os doentes, do carinho à beira dos leitos, do amor que cura”, diz o prefeito Rafael Greca.

A secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak, considera o hospital uma peça importante na estratégia para garantir o atendimento com qualidade da população.

“O nosso Hospital Municipal do Idoso é uma referência pela dedicação e cuidado da equipe. Nesses dez anos se tornou um ícone da boa assistência aos nossos idosos”, observa Márcia.

A abordagem multidisciplinar no atendimento dos pacientes, a utilização de novas tecnologias para otimizar processos e a inovação em terapias foram decisivas para o hospital atingir o nível de excelência no Sistema Único de Saúde (SUS).

Agilidade na pandemia

Outra inovação foi a forma de contratação dos profissionais. A seleção foi realizada por meio de Processo Seletivo Público (PSP) e pelo regime de trabalho da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Essa rapidez no processo de contratação foi fundamental para tornar o Hospital do Idoso referência no atendimento de pacientes durante a pandemia de covid-19. Na fase mais crítica, a instituição chegou a ter 85 leitos de UTI para atender a pacientes graves de coronavírus.

“Nos seus dez anos, o hospital apresentou resultados espetaculares, mas foi justamente na pandemia que mostrou todo o seu potencial”, avalia Sezifredo Paz, diretor-geral da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas), que administra o hospital.

A capacidade de adaptação da equipe, a qualidade técnica e a cooperação mútua foram elementos fundamentais neste protagonismo.

“Seremos sempre lembrados pelo legado de trabalho e, sobretudo, da resiliência deste hospital no enfrentamento da maior calamidade pública de nossa história”, afirma o diretor executivo da unidade, Peterson Souza.

O Hospital do Idoso foi retaguarda durante a pandemia para a ala clínica do Hospital Vitória, do Hospital Victor Ferreira do Amaral, do Centro Médico Comunitário Bairro Novo, da Casa Irmã Dulce e para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Tatuquara, Fazendinha e Boqueirão (que foram unidades de internação).

“Essa estrutura, com 525 leitos, compôs o maior complexo de internação do SUS de Curitiba”, lembra Paz.

O início

Pensar um hospital para a população idosa foi um desafio. “Primeiro pelo pioneirismo, mas também pela preocupação com que tivéssemos um modelo assistencial focado na humanização e na segurança do paciente”, conta Tereza Kindra, então diretora-geral da fundação e diretora executiva do hospital, hoje na controladoria interna da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

O surgimento de um novo hospital motivou muita gente a disputar uma vaga. “Eu me interessei porque estava sendo criado algo novo, com ênfase na saúde do idoso, uma oportunidade que ficaria para a história da cidade”, conta a agente funerária Juliana Morais, aprovada no processo seletivo de 2012.

Elenize Losso foi fisioterapeuta do Hospital do Idoso até 2013 e no seguinte passou a trabalhar no Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), hoje conhecido como Saúde em Casa: “Li no jornal que estavam construindo um hospital que se chamaria Zilda Arns e pensei em como seria trabalhar neste lugar que iria receber o nome de uma pessoa tão honrada, que fez muito por crianças e idosos”.

A assistente administrativa Ana Maria Ferreira também prestou o processo seletivo motivada pela possibilidade de trabalhar com idosos. A confirmação deste sonho veio no evento de integração dos primeiros trabalhadores.

“Uma das coisas que me chamou a atenção foi como apresentaram o projeto: o foco principal era no nosso paciente, na dedicação, no amor, isso me empolgou bastante, me encantou”, relata Ana.

O evento de integração durou dez dias. “Fizemos a capacitação de toda a equipe sobre as metas de segurança do paciente e planejamento estratégico”, lembra Tereza. “Iniciamos com todos os protocolos assistenciais descritos e com o sistema de prontuário eletrônico, 100% digital, já parametrizado”.

Dos contratados em 2012, 385 profissionais continuam trabalhando nas unidades da Feas, muitos no Hospital do Idoso. Daiana Lugarini, coordenadora da Farmácia Clínica, é a mais “antiga” – seu registro é anterior à inauguração do Hospital.

“Eu comecei trabalhando no Edifício Laucas [prédio sede da Secretaria Municipal da Saúde], a gente não tinha nosso prédio, ele estava sendo finalizado, era o momento do planejamento, tudo era novo, um sonho e uma expectativa”, descreve Daiana.

O dia da inauguração, para Daiana, foi a realização de um sonho. “Tudo que sonhamos e planejamos agora é real, agora está acontecendo”, relembra.

Estrutura

O hospital foi criado com 141 leitos, 20 deles de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Em sua estrutura inicial, contava com duas salas de centro cirúrgico, consultórios, sala de fisioterapia e uma Central de Imagem, onde eram feitos exames de radiologia, colonoscopia, ecografia, endoscopia e tomografia computadorizada.

Hoje, o Hospital Municipal do Idoso conta com 145 leitos – 30 deles de UTI –, 109 enfermarias, seis leitos de observação e nove de unidade referenciada. O atendimento ambulatorial conta com 21 especialidades e realiza 17 exames diferentes.

Homenagem

Um projeto revolucionário para fazer jus ao nome que recebe: uma homenagem à Zilda Arns Neumann, médica pediatra e sanitarista. Criadora das pastorais da Criança e da Pessoa Idosa, Zilda Arns foi indicada ao prêmio Nobel da Paz em 2006. Faleceu em janeiro de 2010, durante o terremoto no Haiti.

O hospital é administrado pela Feas, da administração indireta da Prefeitura de Curitiba, vinculada à SMS.