Grande Curitiba

Pessoas acolhidas pela FAS participam de nova turma do curso de Calcetaria em Curitiba

11 de janeiro de 2023 às 16:19
(Foto: José Fernando Ogura/SMCS)

COM ASSESSORIAS – Começaram nesta quarta-feira (11/01) as aulas do curso de calcetaria, ofertadas pelo Liceu de Ofícios e Inovação em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). O curso, que está sendo ofertado pela segunda vez, dá prioridade às pessoas atendidas pela Fundação de Ação Social (FAS).

A primeira turma graduou-se em novembro de 2022 na Praça Solidariedade (Rebouças), onde a Prefeitura mantém um complexo de atendimento a pessoas em situação de rua. Dessa vez, quem participa do curso são os moradores da comunidade terapêutica Mosteiro Monte Carmelo, destinada à dependentes químicos. A segunda turma começa com 39 alunos, divididos em dois grupos pela manhã e pela tarde.

Futuros calceteiros

O mecânico Felipe Seibert, de 26 anos, já é residente do Mosteiro há 8 meses. Durante esse período, já realizou onze cursos pelo Aprendere, portal da Prefeitura pelo qual toda a população pode se inscrever para cursos gratuitos. Felipe é catarinense e já está preparado para retornar para casa com um diploma de calceteiro na mão. Ele conta que foram os cursos que criaram esperança de uma nova oportunidade após o fim do tratamento.

“Eu pretendo mudar de profissão, porque nunca se sabe o dia de amanhã e eu gosto de ter opções. Se surgir uma oportunidade de ser calceteiro é uma das minhas primeiras escolhas”, explica Felipe.

Quem também está animado por novas oportunidades profissionais é o metalúrgico Júlio César Soares, de 41 anos. Ele mora no Mosteiro há pouco mais de um mês e já realizou um curso, também orientado pela FAS, sobre cuidado de idosos. “É muito bom para mim mudar de ramo, quem sabe algum dia eu precise do conhecimento que eu adquiri aqui”, afirma.

Profissão milenar

Durante o curso, os participantes aprendem como construir as famosas calçadas com pedras portuguesas, técnica de pavimentação que em Curitiba também é chamada de petit pavê. A turma aprenderá também sobre a história desse tipo de revestimento, trazida para Curitiba por imigrantes no início do século 20.

Na capital, a técnica foi aplicada a desenhos característicos do Movimento Paranista (1903 -1923), liderado por artistas como Lange de Morretes, Domingos Nascimento, Romário Martins, Zaco Paraná e João Turin. Os desenhos podem ser apreciados no calçadão da XV, em frente ao Palácio 29 de Março e nas praças Osório e Santos Andrade.

O curso tem duração de 13 dias, totalizando 39 horas de trabalhos, e as aulas acontecem no Mosteiro. Quem tiver mais de 75% de frequência vai receber certificado emitido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), parceiro da FAS na oferta de cursos profissionalizantes. O curso de calcetaria foi desenvolvido especialmente para atender a esse novo projeto do município.

A turma terá como instrutores Valmir Gomes, conhecido calceteiro curitibano, que desde 1970 trabalha na construção de calçadas da capital e o arquiteto e urbanista Fábio Malikoski, doutorando em restauração e conservação de espaços culturais, pela Universidade Federal da Bahia. Para o mestre Gomes, que sempre quis ensinar a técnica milenar, o curso é uma forma de resgatar a profissão.

“Existe uma cultura na calcetaria e é isso que espero ensinar para os alunos. Além, é claro, de como preparar o terreno e manusear as pedras, como a colocação e os desenhos”, explica.

Caminhar Melhor

O curso tem relação ainda com outro programa da Prefeitura, o Caminhar Melhor, para requalificação das calçadas da cidade. A FAS, inclusive, continuará a fazer a articulação para que os novos calceteiros possam ser contratados pelas empresas que prestam serviços para a Prefeitura na construção de calçadas e também para outras empresas da cidade que atuam no setor.

De acordo com a coordenadora de Qualificação e Relações do Trabalho da FAS, Elisangela Stüpp, é exatamente esse o objetivo dos cursos profissionalizantes, ofertados pelo Liceu de Ofícios, que há quase 30 anos vem qualificando gratuitamente os profissionais curitibanos. “São importantes para a reinserção no mercado de trabalho uma vez que requalificam o profissional e complementam uma atividade prévia”, ressalta.