Grande Curitiba

No Boqueirão, Rua da Cidadania “veste” amarelo pelo fim da exploração sexual de crianças

19 de maio de 2022 às 11:44
(Foto: Lucilia Guimarães/SMCS)

COM ASSESSORIAS – As floreiras da Rua da Cidadania do Boqueirão ganharam ornamentação diferente nesta quarta-feira (18/5), Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. As flores da estação deram lugar a estatísticas sobre o problema na cidade e a dezenas de flores amarelas – símbolo da campanha de combate a esse problema social. Em todo o corredor do local, as colunas foram decoradas com balões amarelos. A iniciativa foi do Núcleo Regional da Fundação de Ação Social (FAS).

De passagem pelo local depois de um dia de trabalho, a diarista Sirlei Gonçalves parou para conversar sobre o tema e levar para casa uma flor e os números de telefone, em forma de poema, que podem ajudar as vítimas. “Tive uma vizinha que passou pelo problema com a filha e até se mudou de cidade. É muito triste e todo mundo precisa ajudar”, observou a trabalhadora.

Símbolo e socorro

As flores – de tecido, EVA e papel – foram confeccionadas por crianças, adolescentes e adultos atendidos pela FAS na Regional, além de servidores integrantes das equipes das unidades especializadas do órgão.

O poema foi escrito por Thelma Alves de Oliveira e faz parte de uma publicação distribuída pelo Hospital Pequeno Príncipe. Nele aparecem os números do serviço 156, da Prefeitura; 181, disque-denúncia do Estado do Paraná; e o Disque 100, para denúncias sobre violações de direitos humanos.

Contexto social

Para a coordenadora do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) Boqueirão, Débora Carvalho, o interesse do público é especial e, por isso, buscado. “Estamos falando simplesmente do quarto tipo de violência mais denunciado ao Disque 100 e a comunidade pode ajudar, informando os órgãos competentes”, disse, referindo-se ao problema social que em 63% dos casos incide sobre adolescentes de 12 a 17 anos. No ano passado foram registradas e atendidas 431 denúncias na cidade.

“A cada uma hora, quatro meninas de até 13 anos são abusadas”, completa a técnica, que acompanha de perto o trabalho da Liga Boqueirão – o grupo descentralizado formado por Ministério Público Estadual, Defensoria Pública e representes da Rede de Proteção desde 2018 para executar o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Contra a Infância e a Adolescência e que já colhe frutos.

“Entre nossos melhores resultados estão a oferta de oficinas e capacitações preventivas continuadas para a comunidade e a implantação da escuta especializada das crianças vitimizadas por profissionais especializados”, acrescenta a gerente de Proteção Social Básica da FAS na Regional Boqueirão, Rubelvira Bernardim de Lima.